Reunião
entre FASUBRA e MEC
23.07.2010 - FASUBRA
A reunião
com o Ministro Fernando Haddad iniciou a partir da intervenção
da FASUBRA, reconhecendo a importância da manutenção
desse espaço de interlocução entre
MEC e Universidade, através de suas entidades representativas.
Foi resgatada a construção da Carreira,
como uma conquista importante do conjunto da categoria,
em que pese à necessidade de avançar rumo
ao seu aprimoramento. A FASUBRA informou que por ocasião
da conquista da carreira resultado de luta da categoria,
inclusive com Greve, foi importante a compreensão
política do MEC, acerca da importância da
Carreira para o conjunto dos Trabalhadores Técnico-Administrativos.
A ação
da FASUBRA, com lutas e pressão, no exercício
do seu papel sindical e a compreensão do MEC, foi
importante na disputa com setores da Casa Civil e do Ministério
do Planejamento, este último insistindo que não
deveria ter a Carreira, para nenhuma categoria do serviço
público federal antes da aprovação
das Diretrizes de Plano de Carreira, ou mesmo, antes do
diagnóstico da situação dos cargos
nas Universidades.
A FASUBRA, orientada
por resolução do Comando de Greve, deliberou
pelo fechamento do acordo, que resultou no PCCTAE, por
considerá-lo um avanço, mesmo sem termos
atingido os 03 (três) salários mínimos
para o piso de tabela e o step de 5%. Esta posição
garantiu os ganhos que obtivemos nos últimos anos,
a partir de 2003, com a GT, 2004 com a GEAT e depois 2005
com o PCCTAE e 2007 com os 03 acordos de tabela (2008,
2009, 2010), finalizando agora em julho de 2010.
Greve UnB
A FASUBRA destacou inicialmente a problemática
da Greve da UNB, em função da ação
jurídica da URP. Ressaltou a posição
já informada ao Ministério do Planejamento,
quanto à necessidade da compreensão política
do significado de se retirar dos salários dos trabalhadores
técnico-administrativos da UNB, 26% que estão
recebendo há 15 anos. Destacou o tratamento diferenciado
entre professores e técnico-administrativos, vez,
que os docentes continuam recebendo e somente dos técnico-administrativos
foi retirado. A FASUBRA informou que em reunião
com o Ministério do Planejamento, foi ventilada
a possibilidade de: ao invés de retirar dos técnico-administrativos
de algumas Universidades os ganhos judiciais, a exemplo
dos 28% e da URP, fazer um cronograma de extensão
para o conjunto dos trabalhadores (as) das Universidades,
promovendo assim a isonomia nas Universidades, ao mesmo
tempo em que garantindo a irredutibilidade salarial.
O Ministro ouviu
atentamente, e disse que realmente era muito difícil
para o trabalhador, após quinze anos, recebendo
um salário ter o mesmo reduzido. Que essa posição
da FASUBRA é interessante, mas tem que ouvir a
opinião do MP, afirmou.
Campanha
Salarial 2011
A FASUBRA informou que a partir de 2011 não temos
perspectivas de nenhum reajuste, vez que não houve
negociação em 2010, para a garantia de tal.
No entanto, a FASUBRA entende, que é fato inconteste,
que a categoria dos trabalhadores (as) técnico-administrativos
das Universidades, continuam com o menor piso e teto salarial.
O princípio do tratamento isonômico para
os servidores públicos não é considerado,
pois a disparidade salarial é muito grande, comparando
com os poderes judiciário e legislativo, dentro
do próprio executivo, em particular, no próprio
MEC. A comparação salarial entre a tabela
das Universidades, com os órgãos vinculados
ao MEC, FNDE, INEP, CAPES é muito divergente.
Esta constatação
justifica a tese que a FASUBRA apresentou aos Reitores
(ANDIFES), e neste momento ao MEC, de fazer um estudo
de uniformização salarial, inicialmente,
com as tabelas das categorias que estão vinculadas
ao MEC. Solicitamos o posicionamento do Ministro acerca
dessa proposição da FASUBRA. O Ministro
informou que acha pertinente a proposição,
e que estará estudando mais sobre a proposta para
se manifestar. Informou que faltam apenas 03 meses para
terminar o mandato de ministro, e que dificilmente haverá
uma finalização a este debate, ainda neste
mandato. A FASUBRA colocou que a posição
do Ministro, acerca do assunto, é importante, mesmo
que não seja objeto resultante de negociação.
Aprimoramento
da Carreira
A FASUBRA manifestou opinião sobre o debate em
curso de aprimoramento da Carreira, que será objeto
de negociação com o próximo governo,
mas que seria importante avançar em alguns entendimentos
ainda neste governo.
O Ministro colocou
que a Carreira, teve uma complicação, do
ponto de vista salarial, que é o déficit
por conta dos planos econômicos que já foram
implantados no país. Disse que acreditava que com
a Carreira dos Técnicos administrativos em Educação,
alguns conflitos deveriam ter sido sanados no momento
da aprovação. Que, na época, defendeu
a aprovação da Carreira dos Técnicos
administrativos em Educação, mas entendia
ser necessário mais tempo para a elaboração,
podendo desta forma então resolver pendências
como esta que está motivando a greve na UNB.
O MEC reconhece que
se a Carreira dos Técnicos administrativos em Educação
não fosse aprovada naquele momento, dificilmente
teríamos sua aprovação mais tarde
pela conjuntura do momento.
A FASUBRA coloca
que o debate na CNSC, principalmente no tocante a racionalização
e dimensionamento de vagas está estagnado. O Decreto
de Autonomia, no tocante ao Banco de Dados e reposicionamento
automático, na lógica do MEC agilizará
as demandas de concursos.
A FASUBRA reafirma
que a CARREIRA para os trabalhadores em educação
técnico-administrativos, não representa
só tabela e salário. Todos trabalhadores
tem uma função importante na Universidade,
atuando em todos os níveis – ensino, pesquisa e
extensão. Portanto todos são iguais, cada
um em sua função.
Decreto da
Autonomia números 7.232, 7.233, 7234 de 19 de julho
de 2010
A FASUBRA informou que a análise feita dos decretos
é preliminar, dado a exigüidade de tempo,
enfatizando alguns pontos:
Decreto do Programa
Nacional de Assistência Estudantil:
Informamos que somos
favoráveis a constituição de políticas
públicas, principalmente no tocante a Programas
de Permanência nas Universidades. Para a FASUBRA
não basta ampliar o acesso, tem que se garantir
a permanência.
O MEC, disse que
o Programa é de 2007, que no ano de 2010 foram
incluídos nos orçamentos das Universidades
R$ 300 milhões e que no ano de 2011 está
orçado o valor de R$ 380 milhões para financiamento
do Programa Nacional de Assistência Estudantil.
O Ministro informou
ainda que a UNE, reivindicou que fosse construído
um instrumento legal, ainda neste com poder maior que
portaria, vez que o Programa existente foi consolidado
através de Portaria em 2007, que dá uma
fragilidade ao mesmo.
Decreto da
autonomia de gestão orçamentária
A FASUBRA informou que no tocante a autonomia de gestão
orçamentária, a mesma se dá através
desse Decreto, de forma relativa. Não existe autonomia
plena para as Universidades até este momento. Questionamos
acerca da forma de utilização de orçamento
do exercício anterior para o próximo ano,
se as Universidades teriam autonomia para remanejar rubricas.
O Ministro informou que a autonomia avançou nos
limites que um Decreto Presidencial comporta, para haver
maiores avanços, seria necessário uma Lei.
No tocante ao remanejamento
orçamentário, o Ministro informou, que o
saldo de recursos do ano anterior será disponibilizado
na mesma rubrica para o exercício seguinte, e neste
exercício, poderá ser realocação
para outras rubricas.
Decreto de
reposição automática de vagas de
técnico-administrativos
A FASUBRA manifestou sua posição favorável
a reposição automática de vagas através
de concurso público. Questionou acerca da exclusão
das classes A e B, para reposição automática,
dado que na classe B temos vários cargos não
extintos. Foi ainda destacado, que no Anexo I do ofício
circular número 100, enviado as Universidades,
contém relação de cargos extintos,
que na análise da Lei 9.632 de 1978 (extinção
de cargos), não constam.
Por exemplo, o cargo
do Vigilante (Classe D), a Lei extingue os cargos que
estavam vagos na época. Os que vieram a vagar não
estão extintos, portanto existe esta vaga a disposição
das Instituições.
O Ministro em resposta
disse não ter conseguido avançar junto ao
Planejamento na proposição de englobar todas
as classes.
Foi ainda manifestada
à posição da FASUBRA, acerca da necessidade
de dimensionamento de pessoal a aferição
de vagas das Universidades, antes dessa distribuição,
contida no Decreto. Indagamos sobre qual foi a metodologia
utilizada para a construção do Banco de
Dados, com o número de cargos efetivado pelo Ministério
do Planejamento, pois na lógica da FASUBRA deveria
ser feita pela CNSC – Comissão Nacional de Supervisão
da Carreira.
O MEC colocou que
não teve acesso a metodologia feita pelo Ministério
do Planejamento, mas que aquele Banco de Dados, é
o marco zero, ou seja, a referência inicial para
o dimensionamento de vagas (necessidade de cada instituição
e de cada atribuição) nas Universidades.
Reposicionamento
dos Aposentados
A FASUBRA resgatou a construção da carreira,
e a forma de enquadramento dos ativos e aposentados na
mesma. Destacou que após debate com a categoria,
a FASUBRA deliberou pela mudança na Lei 11.091
neste quesito, para o reposicionamento dos aposentados.
Algumas Universidades no gozo de sua autonomia de gestão
administrativa, e considerando a justiça do pleito,
reposicionou os trabalhadores aposentados, retomando a
posição relativa em que se encontrava no
PUCRCE.
A FASUBRA explica
como se deu o enquadramento dos aposentados na nova Tabela
do PCCTAE. Expõe a necessidade de mudar o artigo
15 da lei 11 091/2005, pede apoio para a correção
da Lei.
O MEC pergunta sobre
a opinião do MPOG sobre isso, e a FASUBRA responde
que o MPOG lançou uma normativa nº7 no dia
15 de julho sobre isso, obrigando a suspensão do
pagamento.
Após a promulgação
da Lei 11.091 /2005, foram editadas duas Leis: 11233/2005
e 11784/2008. Ambas enquadraram os aposentados nas Tabelas,
reposicionando-os na mesma posição em que
se encontravam no PUCRECE.
A FASUBRA reivindica
isonomia de tratamento. A FASUBRA tem consciência
de que a Lei da Carreira serviu de referência para
avanços de outras carreiras, a exemplo da Carreira
do MEC/FNDE e MEC/INEP que tiveram instituída a
retribuição por titulação
referente a Especialização, Mestrado e Doutorado,
para uma parte da categoria. O PCCTAE também serviu
de referência no caso das carreira acima elencadas
(da Cultura e Forças Armadas), para mudar a forma
de enquadramento dos aposentados.
Argumentamos quanto
a necessidade de correção da Lei, sem necessidade
de instalação de mesa de negociação
sobre o tema, pois já existe legislação
acerca da temática. Depende apenas de uma ação
do governo a correção da forma desse enquadramento,
estendo para as Universidades o mesmo tratamento que foi
dado para a Carreira da Cultura e das Forças Armadas.
Destacamos ainda
que a Instrução Normativa do Planejamento,
exige das Universidades, que não procedam mais
o reposicionamento dos aposentados, ao mesmo tempo em
que, ameaça os já reposicionados com cobrança
de retorno dos recursos ao erário público.
O Ministro não se posicionou contrário à
essa Instrução Normativa do Planejamento.
Falamos ainda que
no dia de hoje (22/07) estava tendo atividades em todas
as bases da federação e que o impacto financeiro
sobre a folha de pagamento das IFES não era elevado
e que não valia a pena um confronto aberto neste
quesito, pois seria ruim para todas as partes envolvidas.
Portanto, a FASUBRA estava reivindicando nada fora do
comum, apenas queríamos tratamento isonômico
e nada mais.
Novamente o ministro
disse que iria conversar com o Secretario do SRH/MP Duvanier
Paiva para saber dos detalhes pela ótica do governo
e que a principio ele era extremamente simpático
a causa dos aposentados, pois ele estaria aposentado em
breve.
Aprimoramento
da carreira – Racionalização
A FASUBRA solicitou do Ministro, uma intermediação,
para dar maior agilidade à discussão na
CNSC, acerca da Racionalização. Destacamos
o significado da racionalização, dado as
transformações existentes no mundo do trabalho,
as inovações tecnológicas, as mudanças
de atribuições de cargos, que demanda um
estudo sobre os cargos existentes. Daí a inclusão
na Lei da obrigatoriedade de racionalização
dos cargos. Informamos que na proposta da FASUBRA apresentada
na CNCS existem 80 cargos a serem racionalizados, dentre
os 363 cargos existentes.
O Ministro informou
que gostaria de conhecer, na íntegra, a proposta
da FASUBRA, e que acha importante a efetivação
desse trabalho de racionalização dos cargos.
Mas não apresentou nenhum indicativo para o encaminhamento
do processo de racionalização de nossa carreira.
A FASUBRA ficou de
encaminhar o Projeto de racionalização em
debate na CNSC, para o Ministro .
HOSPITAIS
UNIVERSITÁRIOS
Com relação aos hospitais, o MEC coloca
sua posição já derrotada em outros
momentos de apresentar um novo modelo de gestão
para os HU´s. Diz que a problemática da gestão
dos HU´s, não será resolvida se não
se pensar numa nova forma de gestão.
O Ministro manifesta
que a assistência integrada a rede do SUS, nos HU´s
tem uma demanda muito maior que o ensino e a pesquisa.
Diz que atualmente a partir de instrumentos do MEC, avançou
na transparência da gestão orçamentária
dos HU´s.
A FASUBRA, mais uma
vez, expõem sua posição de que entende
que não é a mudança do modelo jurídico
que vai resolver a situação dos HU´s.
O MEC coloca que
o debate sobre dimensionamento de vagas das Universidades
e modelo de HU´s não pode ser fragmentado.
Portaria
do REHUF
A FASUBRA, mais uma vez colocou a sua posição
em defesa dos HU´s, a necessidade de ampliar recursos
para financiamento dos HU’s, na lógica da sua manutenção
nas Universidades, no cumprimento do seu princípio
indissociável do ensino, da pesquisa e da extensão,
articulado a assistência na rede do SUS.
Questionamos o fato
de não constar a representação da
categoria dos técnico-administrativos no Comitê
Gestor (Nacional) e nas Comissões Consultivas (HU´s).
Informamos que tanto
a ANDIFES quanto a Frente Parlamentar em Defesa dos HU´s,
manifestaram-se favoravelmente ao nosso pleito.
A FASUBRA foi informada
pelo Coordenador de HU´s, Rubens Rabellato, que
foi o Ministério de Planejamento que não
concordou com a inclusão dos técnico-administrativos.
Mas que ele era favorável.
O Ministro, inicialmente
colocou que desconhecia esses detalhes da Portaria, e
iria se inteirar sobre o tema, mas que era favorável,
a inclusão dos técnico-administrativos nos
respectivos conselhos.
A FASUBRA questionou mais uma vez o Ministro sobre a proposta
de desvincular os HU´s do MEC; e o ministro continua
manifestando a defesa de que os Hospitais Universitários
não devem ficar vinculados às Universidades.
Pendências
junto ao MEC
A FASUBRA cobrou do MEC, o encaminhamento do entendimento
obtido em reunião realizado no ano de 2009 com
a SESU no tocante a:
01. Bolsa junto a CAPES, para constituição
de Programas de Mestrado e Doutorado para Técnico-Administrativo,
a exemplo do efetivado para os trabalhadores técnico-administrativos
dos IFETES.
02. Organização de Curso Nacional de Pós-Graduação,
em nível de Mestrado e Doutorado, em convênio
com a UNB, a exemplo da ação da SETEC (Secretaria
do Ensino Tecnológico).
O Ministro informou
que vai se empenhar para implantar esta sugestão
da FASUBRA. A FASUBRA colocou ainda que a Lei dos IFETS
deveria ser referência para as Universidades, principalmente
no tocante a democracia, e ao reconhecimento dos papéis
de cada segmento na Instituição (técnico-administrativos
e docentes).
A FASUBRA mais uma
vez manifestou sua posição cobrando do MEC
uma ação a favor do aprimoramento da Carreira,
que estava ameaçada pela visão do Planejamento,
que colocou a possibilidade em negociar outras demandas
reivindicadas pela categoria, como a racionalização,
por exemplo, desde que a FASUBRA abrisse mão de
seus princípios.
Foi reafirmado pela
FASUBRA ao Planejamento, de que princípios não
seriam relegados a segundo plano.
O MEC, na pessoa
do Ministro informou que existe necessidade de se rediscutir
a estrutura da Tabela, mas que considera importante a
conquista da categoria.
A FASUBRA informou
que a Lei 11.091 está sendo desrespeitada em duas
questões: A primeira pelo fato da não instalação
do GT Terceirização, em que pese ter sido
publicado a Portaria do GT Terceirização
com os representantes do MEC, Reitores e FASUBRA. O PCCTAE
completou, em janeiro de 2010, cinco anos, e ainda não
deu conseqüência ao trabalho acerca da Terceirização.
A segunda no tocante a racionalização (artigo
18), que ainda não foi concluída. O Ministro
lembrou que também o artigo 15 (enquadramento)
deverá ser mudado.
O Ministro manifesta
sua opinião, destacando o seu respeito aos sindicatos,
em particular a FASUBRA, e que por ocasião de entrevista
com o Jornal New York Times, o jornalista insistia em
perguntar por que o governo Lula não vai contra
os sindicatos? O Ministro colocou que foi através
da luta e resistência dos sindicatos, que a educação
pública nesse país continuou viva. Por isso
respeita os sindicatos.
A FASUBRA entregou
oficialmente ao Ministro a nossa pauta de reivindicação,
analise preliminar da Federação sobre os
decretos nº 7232, 7233, 7234, resposta em relação
a Portaria Interministerial de nº 833, de 05/07/2010.
Ministério
de Educação e Cultura: Ministro Fernando
Haddad; João Paulo Bachur – Chefe de Gabinete;
Paulo Wallinger – Diretor de Regulação.
FASUBRA: Léia
de Oliveira, Rolando Malvásio, Paulo Henrique dos
Santos, Rosane Souza, Noelma dos Santos, Mário
Garofolo, Mário Júnior.
