Educação
superior
Lula sanciona lei
que cria a Universidade Luso-Afro-Brasileira
20.07.2010
- MEC
Foi sancionada na tarde desta
terça-feira, 20, pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, a lei que cria a Universidade Federal da
Integração Luso-Afro Brasileira (Unilab).
A instituição, que será instalada
no município de Redenção (CE), atuará
em cooperação com os países de língua
portuguesa da África. As obras do campus têm
início previsto para 2011. Até a conclusão,
as atividades serão desenvolvidas em instalações
provisórias cedidas pela prefeitura da cidade.
O presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ser uma alegria
o Congresso Nacional ter aprovado a criação
da Unilab. “É uma forma de o Brasil, aos poucos,
pagar a dívida com os povos africanos, que não
pode ser mensurada em dinheiro, mas em parceria, em solidariedade.”
Ele lembrou que Redenção
foi escolhida para abrigar a Unilab por ter sido a primeira
cidade a abolir a escravidão, cinco anos antes
da Lei Áurea.
Durante a cerimônia de
sanção da lei, o ministro da Educação,
Fernando Haddad, lembrou que a Unilab é a 14ª
universidade federal criada pelo presidente Lula. Dessas,
12 já estão em funcionamento. As duas últimas,
aprovadas este ano pelo Congresso Nacional, são
a Universidade da Integração Latino-Americana
(Unila), cujas aulas devem começar neste segundo
semestre, e a Unilab, que deve iniciar as aulas no início
de 2011.
O ministro Haddad reiterou
que Unila e Unilab têm em comum a busca pela integração
internacional. “Durante a concepção do projeto
pedagógico da Unilab – que agora é lei –
houve a preocupação de que uma parte da
formação do aluno seja feita na África,
e continuamos trabalhando para que o diploma seja válido
lá também, de forma que o estudante volte
a seu país e possa contribuir para o desenvolvimento
local”, afirmou o ministro.
Inclusão – A lei que
cria a Unilab foi sancionada no mesmo evento da sanção
do Estatuto da Igualdade Racial. O ministro da Secretaria
de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial (Seppir), Eloi Ferreira, falou sobre a importância
das ações afirmativas e do Programa Universidade
para Todos (ProUni) para a inclusão da comunidade
afrodescendente na universitária. “Ninguém
quer cotas para sempre, mas elas são um tipo de
ação afirmativa, e com elas podemos inovar
na inclusão de negros e negras na universidade”,
disse.
Ele lembrou também que
mais de 300 mil beneficiados pelo ProUni são negros
ou pardos. De acordo com dados da Secretaria de Educação
Superior (Sesu) do MEC, 45% dos 704 mil beneficiados pelo
ProUni desde o início do programa se autodeclararam
afrodescendentes. O presidente Lula lembrou também
o encontro, ocorrido há algumas semanas, com os
futuros formandos de medicina do ProUni. “Quando pudemos
imaginar que uma menina negra pobre da periferia chegaria
numa faculdade de medicina? Eu e Haddad tiramos foto com
cada um deles porque daqui a muitos anos teremos muito
orgulho de ter participado disso.” Ele também afirmou
que os bolsistas do ProUni estão entre os melhores
universitários do século 21.
Seleção – A projeção
é de que a universidade atenda 5 mil estudantes
de graduação, dos quais 50% serão
brasileiros e 50% de países africanos. A seleção
será feita a partir do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) e, para os estudantes brasileiros,
metade das vagas será destinada aos egressos do
ensino médio público.
Inicialmente a universidade
abrangerá cinco áreas do conhecimento: energia
e tecnologias; gestão pública; saúde
pública; educação pública
e agricultura.
Os cursos de enfermagem, agronomia,
administração pública, licenciatura
em ciências da natureza e matemática e engenharia
de energia já serão ofertados em 2011, cada
um com 70 vagas. Para atender esse público, serão
selecionados, a partir deste ano, professores e técnicos
administrativos. Até 2013, o quadro da instituição
contará com 300 docentes e 208 técnicos
administrativos.
O projeto da Unilab
prevê que a instituição seja uma universidade
residencial, que permita aos estudantes morar no campus.
Para viabilizar a estrutura necessária, a universidade
firmará convênios de cooperação
com instituições de ensino superior dos
países parceiros.
