Informe de Base

Assembleia Geral – 01/04/2011

Anfiteatro da Faculdade de Comunicação Social da UFJF – 9 horas

        

 

A Assembleia começou com os informes do Coordenador do Sintufejuf e da Fasubra, Emanuel Braz. Ele fez um relato sobre os acontecimentos da Plenária Nacional e sobre as ações da Direção Nacional da Fasubra.  O Coordenador mencionou que o governo estava resistente em receber a representação dos trabalhadores e o indicativo de greve foi usado para a abertura de negociações. Emanuel Braz disse ainda que a base de Juiz de Fora referendou o indicativo, porém a primeira rodada de negociação foi chamada pelo MPOG, quando agendou reunião com a Fasubra em 23 de março. Segundo ele, o indicativo de greve foi como elemento de pressão para a negociação.

Emanuel afirmou que a Fasubra já vinha trabalhando questões da pauta específica dos técnico-administrativos em educação com o Secretário de Educação Superior do MEC (ex-reitor da UFV), Luiz Cláudio Costa, que inclusive aprovou o reposicionamento dos aposentados naquela instituição.

O Coordenador falou ainda sobre o Encontro do Coletivo Jurídico realizado pela Federação. Ele chamou a atenção da assembleia para os elementos jurídicos que podem mudar as questões da greve. Mencionou que o STF nivelou o direito de greve do servidor público com o da iniciativa privada e, sobre isso, as entidades sindicais devem estar preparadas. Emanuel defendeu que os trabalhadores devem ter clareza nas informações, avaliar cada passo e avaliar para onde levar a categoria. Ele cobrou seriedade do trabalho e denunciou que alguns coletivos políticos da federação não queriam que o informe do Encontro Jurídico fosse divulgado para as bases.

 

            Em seguida, os delegados apresentaram seus informes e avaliações da Plenária Nacional de 26 de março.

            Rogério da Silva contou que, durante o momento das orientações da Direção da Fasubra, uma questão de ordem enrolou toda a Plenária, com a justificativa que os encaminhamentos não deveriam ser da forma que a mesa sugeriu. Segundo ele, a mesa já tinha esclarecido tudo e as bases já tinhas o entendimento de que a caravana e o indicativo foi pela abertura de negociações. Rogério contou que a votação foi tensa, pois o que foi proposto pela federação acabou sendo atropelado.

            O delegado explicou que os representantes das bases definiram pela negociação, com caravana e vigília durante a reunião com o governo. Rogério explicou que foi orientado para a categoria a deflagração da greve no dia 25 se não acontecer negociação.

            Caetano Honorato, que foi delegado em Plenária pela primeira vez, disse que foi uma “experiência ímpar” e elogiou a forma como foi recebido pelos dirigentes da Fasubra. Caetano falou para que os trabalhadores não desistirem e reforçarem a luta, principalmente não deixando os sindicatos sozinhos no movimento.

            Rosângela comentou que o tempo para os informes de base foi de três minutos e não de cinco, pois foi pedido tempo para fazer a avaliação da conjuntura. Ela explicou que os trabalhadores aprovaram a pauta para negociação e que, se ela não avançar, a categoria parte para greve sem plenária.

            Em seguida, os trabalhadores aprovaram a caravana no Dia Nacional de Luta. 42 trabalhadores vão sair de Juiz de Fora no dia 12 de abril e participarão das atividades nos dias 13 e 14 de abril.

 

Resumo da análise da conjuntura

 

Paulo Edson - Sempre a categoria discutia diretamente com o MEC e agora o governo manda o secretário negociar. Significa desqualificação e humilhação do nosso movimento. Deveríamos negociar diretamente com a Educação. A greve é um direito universal e em alguns casos é a única arma que o movimento tem (comentou a fala de Emanuel Braz). Sobre o ponto eletrônico: O diretor do HU disse que foi ordem autoritária, vinda de cima para baixo, uma humilhação e desqualificação dos trabalhadores. Quanto vale o nosso trabalho? O trabalho das pessoas do Hu, que salvam vidas?

 

Aluisio – A greve foi deflagrada dia 28? Responderia não. Vai ter no próximo período? Não sei. A federação está chamando as bases, mobilizando. A greve é a última forma de pressão contra o patrão, tem que ser o último instrumento de luta do trabalhador. O movimento tem que ser sério, não pode ser bom para um e ruim para o outro, mas sim para toda a categoria. Caso haja negação da negociação, temos vários motivos. Temos que estar atentos para a qualquer momento sair de greve de forma responsável. A responsabilidade é da diretoria do sindicato. Temos que negociar com o MEC, mas quem bate o martelo sobre pagamento é o Planejamento. Algumas pessoas estão culpando o sindicato pela imposição do ponto eletrônico, algo que veio de Brasília. Mas na reunião o diretor abriu a palavra para todos se manifestarem e ninguém se posicionou de forma contrária naquela hora. Para nós interessa o que a categoria indicar.

 

Maria dos Remédios - A gente que tem história, sempre fez parte do movimento sindical temos que ter hoje a responsabilidade de fazer movimento. Hoje não é mais como antigamente. Hoje não dá para se dizer vamos fazer greve sem negociar. Porque no dia de deflagrar, a assembleia fica lotada; depois não. Hoje em dia as pessoas estão dispostas a ir pra luta? Não. Tem que ter responsabilidade com a categoria.

 

Luiz Roberto - Parabenizo a atitude séria da Fasubra. Inteligentemente agimos. Vamos dar tempo para o governo para puxarmos a sociedade para o nosso lado. Há muitos aproveitadores que querem entrar de greve. As coisas têm que ter responsabilidade porque pagamentos podem ser cortados. Temos que saber negociar. Estava assistindo na TV um debate sobre a MP 520/10. Isso está numa uma batalha feia, com discussões sérias, não está para passar muito fácil essa medida.

 

Célia – Pediu esclarecimento sobre porque foi implantado o ponto eletrônico no HU.

 

Paulo Dimas - Quem tem que responder é o gestor do HU. O sindicato se fez presente na reunião, mas a questão foi de uma resolução do SESU e MEC. O governo está implementando onde trabalhadores recebem APH. No início era para todos os trabalhadores cumprirem as 8 horas diárias, inclusive a área administrativa. Pressionamos para que, pelo menos nossa bandeira de 30 horas, fosse referendada e conseguimos. Isso foi uma conquista, entre aspas. Cada trabalhador  do HU teve oportunidade de fazer o uso da palavra na reunião com o Dimas no HU.

 

Sebastião Glanzmann - Como é difícil lutar pelos direitos. Precisei fazer uma operação e, se estivesse no SUS, não teria feito. O plano de saúde foi uma conquista. Conquista nossa. Como companheiros de serviço entram em greve para fazer biscate e não dão apoio aos companheiros? É preciso levar as coisas a sério, porque estamos em busca de nossos direitos. Conseguimos na época do Crivellari (reitor da UFJF) que a Vigilância fizesse as 6 horas porque fazemos serviço ininterrupto. Quem controla o ponto é o chefe da equipe. O sindicato precisa buscar mais discussões sobre o ponto eletrônico.

 

Maria Ângela - A Portaria 5/2011 (ponto eletrônico) prova bem que o governo está jogando com a gente. É chantagem. Farão jus ao APH aqueles HUs que tiverem implantado o controle eletrônico de assiduidade e pontualidade. Bem como demais prestadores de serviço (leu trecho da portaria). E agora, o sindicato não pode se surpreender. O sindicato, que disse aqui que a questão do ponto já tem mais tempo, por que está fazendo o papel de amaciar a luta? Tem momento na luta que é de greve, queremos moralização do serviço público inteiro. O que os delegados votaram na plenária? Contra ou a favor a greve? Juiz de Fora votou a favor da greve no dia 28 de março. O governo não discute nada com o movimento. Se não é o momento de greve então qual é? Por que no dia 26 de março não foi aprovada a greve, se 29 universidades votaram a favor da greve e por que no dia 28 não teve assembleia como sempre teve? Nosso sindicato nunca foi disso.

 

Márcio - Pediu ao sindicato para fazer ações nos setores que recebem servidores novos. Muitos estão com Medo de vir à assembleia, de participar, da direção fazer piada porque escolheu sexta para paralisar e emendar com o final de semana. Muitos servidores não estão aqui hoje porque têm medo, existe um assédio moral. Pedimos para que cobrem da empresa que administra o RU melhorias porque encontramos pratos sujo, algumas vezes não há talher e o espaço tem estrutura incrível. Além disso, o servidor tem hora para retorno ao trabalho e precisa enfrentar fila. Sobre as 30 horas: tem que envolver todos, é um direito que deve ser exercido por todos. Existe marco legal que permite que seja feito. O risco é na situação atual, de não ter nada escrito, ser um acordo de cavalheiros e todos os servidores terem que voltar a fazer oito horas. Precisamos de segurança jurídica.

 

Rogério - Essa é a nossa diferença. Tratamos a categoria com respeito e responsabilidade. Depois dessa greve de 2007 que tivemos o reajuste parcelado, o Supremo tomou posição regulamentando greve no setor público. Temos  72 horas para avisar e fazer as escalas para serviços essenciais. Quem trabalha na direção do sindicato tem que trabalhar com razão e não com emoção. Já tinha companheiro com passagem comprada para viajar no período de greve. É isso que queremos? Se a partir do dia 14 não tivermos avanço, podem ter certeza que estaremos em greve, respeitando o encaminhamento da nossa federação e o da nossa base.

 

Emanuel - Nossos delegados votaram contra a greve por entenderem que a chamada do governo vai abrir um canal de negociação. Até 16 de março não tínhamos resposta do governo. E no dia 23, coloquei a direção do sindicato informada dessa reunião com o governo.

 

Paulo Dimas – No dia 16 (na assembleia) falamos o tempo todo que poderia ter negociação em Brasília. Rogério foi feliz na fala: já tinha pessoas contando com a greve para fazer serviços particulares, gente revoltada com o sindicato porque não parou. Que instrumento é esse? Que categoria é essa? Isso é sério. Sobre o ponto eletrônico: O sindicato esteve presente no HU discutindo. Isso é um processo que o governo quer implantar para todo mundo. Estamos brigando por toda a categoria, para reduzir jornada de trabalho para todos. O documento é muito sério (um abaixo assinado pedindo a extensão do ponto eletrônico para toda a universidade não só no HU), coloca a categoria toda em risco e está rodando no HU e as pessoas estão assinando. Isso está desagregando. Estamos em processo de reivindicação com o governo e vemos parte da categoria querendo se separar da outra. Quem faz isso é o governo. Ele deve estar aplaudindo. Quem redigiu o documento foi muito infeliz.

 

Paulo Edson – Estamos esquecendo de cobrar de quem realmente deveria ter nos dado satisfação, que é a Reitoria (sobre o ponto eletrônico). O reitor não nos deu satisfação e sabia dessa política de governo desde junho de 2010.

 

Remédios - Fico assustada com comportamento de pessoas no momento de eleição, que fazem discursos arrogantes. Temos que nos unir, lutar pelo que nós queremos e não nos aproveitar em momentos de eleição. Conhecendo o nosso sindicato, a nossa base, quando vier o momento certo, o sindicato dará a resposta.

 

Aluisio - Na hora da opressão fazemos greve; a partir do momento que o patrão aceita negociar não temos opressão. Esse é um bom debate (em resposta a Paulo Edson). Lembrei de quando comecei a fazer a luta dentro do HU. Participamos de todos os eventos da luta do trabalhador da universidade. A pessoa que quer formar uma chapa não pode esperar 24 horas. Sindicalismo é uma história de vida. Temos que participar sempre. Porque o movimento sindical é formado por toda a categoria.

 

Lucas (em resposta ao Macio) – Temos participados dos Seminários de Integração. Já estamos trabalhando com a PRORH para oficializar as 6 horas para todos os servidores da UFJF.

 

Informes locais:

- Começaram as atividades de 2011 do Projeto Vem Pra Dança, uma parceria do Sintufejuf com a Pró-Reitoria de Recursos Humanos da UFJF para os trabalhadores.

 

- Aconteceu em 31/03 a abertura das atividades de 2011 do Programa de Capacitação.

 

- A UFJF está realizando uma pesquisa para levantamento das demandas de qualificação dos técnico-administrativos em educação. Até o atual momento, preencheram a pesquisa cerca de 1200 pessoas, sendo 470 interessadas em programas de qualificação. A pesquisa é também para subsidiar a proposta de concessão de bolsas aos trabalhadores da UFJF.

 

- O Sintufejuf entregou uma carta de reivindicações ao professor Luiz Cláudio, Secretário de Educação Superior do MEC, na ocasião em que ele esteve na UFJF. O sindicato aproveitou a oportunidade para entregar o conjunto de reivindicações específicas da categoria.

 

- O Sintufejuf está em período eleitoral. O pleito será em 17 de maio. Duas chapas vão disputar nesse ano, que se inscreveram nos dias 30 e 31 de março no Sintufejuf.

 

 

 

Diretoria Executiva do Sintufejuf