Inscrições abertas para o XIV Encontro de Consciência Negra do Sintufejuf. | SINTUFEJUF

Inscrições abertas para o XIV Encontro de Consciência Negra do Sintufejuf.

O XIV Encontro de Consciência Negra do Sindicato dos Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino (Sintufejuf) acontece entre os dias 20 e 24 de Novembro, e conta com palestras, minicursos e atividades culturais. O evento é gratuito e aberto à participação de todas e todos. As inscrições podem ser feitas AQUI, através do telefone 32157979 ou na sede administrativa do Sintufejuf (Rua Santo Antônio, 309 – Centro). As inscrições ficarão abertas até o dia 15 de Novembro (quarta), e haverá emissão de certificados. 

O tema central será o impacto das medidas do governo Temer à população negra. A diretora do Sintufejuf, Eliane Silva, explica que é preciso intensificar o preparo da categoria para um debate mais aprofundado sobre a situação do país. “A população negra já é a base da pirâmide social. Todos esses ataques [do governo Temer] atingem com uma proporção muito maior a população negra. Então a gente precisa levantar esses debates dentro dos nossos espaços, e lutar para que todos esses ataques que estão vindo aí possam ser freados”, afirma Eliane.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

20/11 – Ato Unificado (mais informações em breve) 

21/11 - 9h – Mesa Redonda: A Intolerância contra as religiões de matriz africana no Brasil

Oradores: Elisa Rodrigues (UFJF) e Mariana Gino (Comissão Nacional de Combate à Intolerância)

14h – Mesa Redonda: O racismo estrutural e o negro no serviço público

Oradores: Antônio Alves Neto (FASUBRA); Jupiara Castro (USP)

22/11 - 9h às 12h – Minicurso: O racismo no Brasil, com Antônio Alves Neto (FASUBRA) 

14h – Mesa Redonda: A condição da mulher negra na sociedade brasileira

Oradoras: Jupiara Castro (USP) e Carolina Bezerra (UFJF)

23/11 - 14h – Palestra: As reformas de Temer e o impacto para a população negra

Orador: Antônio Alves Neto (FASUBRA)

24/11, 14h – Roda de Conversa: Negras e negros LGBTs e o genocídio da juventude negra

Oradores: Adenilde Petrina (coletivo Vozes da Rua) e Camille Ballestieria (Coletivo PretAção) 

 

Dia Nacional da Consciência Negra

O Dia Nacional da Consciência Negra é comemorado anualmente no dia 20 de Novembro, em memória à morte de Zumbi dos Palmares. O Quilombo dos Palmares resistiu por mais de cem anos, e foi o maior do período colonial brasileiro. Esse era o espaço de refúgio e de resistência daqueles que eram trazidos da África para serem escravizados no Brasil, mas não se submetiam a esse sistema. Zumbi dos Palmares foi o último dos líderes do quilombo, e em 20 de Novembro foi brutalmente assassinado. Em 2011 a Lei nº 12.519 instituiu o 20 de Novembro como data comemorativa em todo o Brasil, porém deixou a cargo dos estados e municípios a criação de leis que definam a data como um feriado.

Atualmente mais de mil cidades brasileiras já aprovaram o feriado no dia 20 de Novembro, porém Juiz de Fora não está nessa lista. Em 2015 foi enviado à Câmara Municipal de Juiz de Fora o projeto de lei que pretendia criar o feriado do 20 de Novembro na cidade. Após assembleias públicas e polêmicas entre os parlamentares, a proposta foi aprovada, com 11 votos a favor e 7 contrários. Pouco após a aprovação da medida, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que já vinha fazendo oposição à proposta, apresentou ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, pedindo a suspensão da decisão da Câmara.

A FIEMG alegou que a criação de mais um feriado poderia desestruturar a economia da cidade. Quase um ano após a aprovação do feriado, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais acatou o pedido da FIEMG e o feriado do 20 de Novembro em Juiz de Fora caiu por terra. A diretora do Sintufejuf, Elaine Damasceno, afirma que “isso mostra o que a gente já vive no dia a dia, que é o descaso com a população negra. É o descaso absoluto de reconhecer o nosso espaço, a nossa contribuição pra sociedade, e nosso lugar de protagonismo na sociedade”. 

A Prefeitura de Juiz de Fora ainda poderia entrar com recurso da decisão tomada pelo Tribunal, mas segundo Rogério Silva, técnico-administrativo da UFJF e secretário do Conselho Municipal para a Promoção da Igualdade Racial, a Prefeitura perdeu o prazo para recursos. “Estamos estudando a possibilidade do movimento negro local entrar com esse recurso”, afirma Rogério.