GT antirracismo do Sintufejuf! | SINTUFEJUF

GT antirracismo do Sintufejuf!

O GT Antirracismo do Sintufejuf é um meio para debater e propor políticas contra o racismo no âmbito da UFJF e na sociedade em geral. As reuniões acontecem toda terceira terça-feira do mês, às 14h, na Sede Administrativa do Sintufejuf (Rua Santo Antônio, 309 - Centro).

Como símbolo do GT e representante brasileiro das lutas em favor da valorização da cultura negra, o grupo elegeu o poeta Solano Trindade. Nascido em Recife, no dia 24 de julho de 1908, conhecido pelos poemas com temáticas afro-brasileiras, Trindade também foi pintor, teatrólogo, ator e folclorista.

Em 1936, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, para divulgar os trabalhos produzidos pelos intelectuais e outros artistas negros. Entre 1941 e 1945, o poeta passa por alguns lugares como Belo Horizonte e Rio Grande do Sul. Em 1945, agora no Rio de Janeiro, funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Em 1954, foi para São Paulo, criou na cidade de Embu, interior do estado, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Na cidade de São Paulo fundou o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu atividades culturais voltadas para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955, viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. De volta ao Rio de Janeiro, faleceu em 19 de fevereiro de 1974.

Racismo é uma forma discriminatória de classificar as pessoas como melhores e piores com base na cor da pelo ou outras características físicas. O racismo não possui nenhuma explicação racional, ele atua diante a conservação de costumes.

 

 

 

Sou Negro

poema de Solano Trindade

 

Sou Negro

meus avós foram queimados

pelo sol da África

minh`alma recebeu o batismo dos tambores

atabaques, gongôs e agogôs

 

Contaram-me que meus avós

vieram de Loanda

como mercadoria de baixo preço

plantaram cana pro senhor de engenho novo

e fundaram o primeiro Maracatu

 

Depois meu avô brigou como um danado

nas terras de Zumbi

Era valente como quê

Na capoeira ou na faca

escreveu não leu

o pau comeu

Não foi um pai João

humilde e manso

 

Mesmo vovó

não foi de brincadeira

Na guerra dos Malês

ela se destacou

 

Na minh`alma ficou

o samba

o batuque

o bamboleio

e o desejo de libertação

 

 

NEGRAS VERDADES

Criatura do sol, do arco-íris,
Somatório das cores que há na Terra;
Infinita grandeza em mim se encerra.
Sou da África, porém estou no Mundo.

Sou raça negra,
Sou raça forte... (Refrão)
Não temo a vida,
Nem temo a morte!

Muitas guerras travei e as venci;
Não há grilhões que me façam prisioneiro.
Sou pacífico, porém sei ser guerreiro,
Quando roubam a minha liberdade.

(Refrão)

Minha consciência negra é exultante,
O orgulho de ser negro é bem mais forte
E essa condição não é mera sorte,
É conquista que eu faço a cada instante.

(Refrão)

Há quilombos por todo o Universo.
Há Zumbis circulando por aí.
Outros tantos ainda vão surgir
Das senzalas, dos guetos, de Soweto.

(Refrão)

Para cada Apartheid há um Desmond Tutu,
Não adianta Ku Klux Klan, há Luther King.
Nesta raça, nem mesmo a morte extingue
A busca pela vida plenamente.

(Refrão)

Sou tambor, capoeira, caruru,
Afoxé, terecô, sou de Palmares.
Sou senhor das montanhas e dos mares,
Protegido de Iansã, filho de Ogum.

Raimundo Uchôa